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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Roberto Freire não vai atrapalhar abertura da CPI das Privatizações outra vez

Não é a primeira vez que se tenta abrir uma CPI para investigar as denúncias de corrupção no processo de privatização das telecomunicações e o papel de Ricardo Sérgio como operador de um esquema de propinas e uso de fundos de pensão para financiar consórcios privados. O delegado Protógenes Queiroz (PC do B) protocolou o pedido de CPI da Privataria há poucos dias, o presidente do PPS Roberto Freire é contra, mas sabendo que não tem como barrá-la, diz que "assina quem quer".

Da página oficial do PPS:
"O presidente do PPS [Roberto Freire] lembra que as gestões do PT no Palácio do Planalto tiveram maioria suficiente para apurar as privatizações realizadas no governo dos tucanos e que nada atrapalhou a base de investigar. "
Orly? Nada "atrapalhou a base de investigar"?

E que tal o fato do presidente do PPS - então na base governista - ter pressionado os deputados do partido a retirar assinaturas da CPI que investigaria o caso? Só para agradar o PSDB na aprovação das reformas, ao invés de "elucidar um dos maiores escândalos da história do país."

Matéria do Correiro Brasiliense de 2003:
José Dirceu livra ex-diretores do BB e Previ
 O Palácio do Planalto articulou o enterro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a participação do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira na privatização das telecomunicações e a denúncia de recebimento de propina. Partiu do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, a ordem para dar cabo à CPI, cujo pedido já tinha sido deferido pelo presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). 
  De olho na aprovação das reformas, o governo preferiu agradar à bancada do PSDB a elucidar um dos maiores escândalos da história do país. Encabeçados pelo vice-líder do PPS, Leônidas Cristino (CE), outros 98 deputados retiraram a assinatura que haviam dado para instalação da CPI. Curiosamente, a CPI foi proposta pelo deputado mineiro Júlio Delgado, do mesmo partido de Cristino. 
 O deputado Roberto Freire (PPS-PE) confirma que o recuo foi uma decisão da bancada atendendo ao governo federal, que não queria a CPI. O PPS faz parte da base de apoio ao Planalto no Congresso. ‘‘A bancada do PPS resolveu retirar as assinaturas para atender o Palácio do Planalto e a João Paulo (presidente da Câmara)’’, revela Freire. No PT, os 40 deputados que tinham apoiado a CPI retiraram suas assinaturas. 
  A CPI foi proposta por Delgado a partir das reportagens publicadas, no final de março, pelo Estado de Minas e Correio Braziliense, revelando o esquema montado por Ricardo Sérgio para que o grupo do empresário Carlos Jereissati comprasse a Telemar com dinheiro dos fundos de pensão, em especial da Previ (dos funcionários do Banco do Brasil). O requerimento de retirada da CPI foi apresentado pelos parlamentares no dia 29 de maio. Em 3 de junho, a CPI foi ‘‘sepultada’’ por João Paulo. (Ana D’Angelo)
(© CorreioWeb/Correio Braziliense)
http://www.romildo.com/anabb/anabb_artigo_jor003.htm

domingo, 25 de dezembro de 2011

Previsão: 2012 será o ano do levante popular contra a corrupção no Brasil

A STRATFOR (Strategic Forecast, ou Previsão Estratégica em português) é uma "agência de inteligência privada" especializada em serviços de "previsões estratégicas", "segurança corporativa" e "contraterrorismo" que tem como clientes as maiores corporações do mundo, para quem vende informações e análises exclusivas, abertas ou secretas. CNN, Bloomberg, AP, Reuters, The New York Times e BBC costumam citar a Stratfor como "autoridade em estratégia e tática de inteligência e informação". A revista Barons publicou logo após os ataques de 11 de Setembro - que a Stratfor "está sempre a frente da imprensa --- e da CIA", num artigo sobre a empresa intitulado "The Shadow CIA".

Ontem os clientes da Stratfor receberam um cartão natalino nada agradável, que não só não trazia a previsão do futuro, como anunciava a incerteza e a impossibilidade da companhia em prevê-lo. A carta do CEO George Friedman  alertava que a empresa havia sido "hackeada por pessoas não autorizadas" e que estava averiguando qual a extensão do dano.

Na página da empresa - agora desfigurada -  hackers Anonymous deixaram um vídeo de Natal - Anonymous LulzXmas - e a íntegra em inglês de "L'Insurrection qui vient" (A insurreição que vem), manifesto anarquista anônimo de 2007 - que irônicamente prevê o eminente colapso do capitalismo - texto atribuído pela polícia francesa à Julien Coupet, um dos "9 de Tarnac", presos e condenados por suposto "terrorismo" ao causar atrasos de trens e destruição de propriedade.


Os hackers #Antisec dizem ter se apossado de 200GB de dados, incluindo os dos cartões de crédito dos clientes, com os quais - dizem - doaram 1 milhão de dólares para caridade. Como aperitivo, o coletivo de hackers publicou a lista dos clientes da empresa, que até ontem eram ocultos.  Lá estão quase todas as maiores corporações do mundo, inclusive a Petrobras. A mais famosa "corporação privada" de "informação privada", a "CIA das sombras", que dizia vender o estado da arte em inteligência e segurança da informação, foi completamente humilhada por ativistas anônimos #Antisec. Especializada em prever ataques, não conseguiu prever sua própria ruína.

A Stratfor talvez nunca se recupere do golpe. Não será a primeira e provavelmente nem a última . Diversas outras empresas de "white hats", hackers que trabalham para aumentar a segurança da informação - os #ProSec - foram atacadas este ano, sendo o caso mais ilustrativo a da  HBGary, cujo vazamento dos e-mails revelou tramas sinistras de algumas empresas de segurança da informação, incluindo uma campanha de desinformação contra jornalistas que apoiavam o Wikileaks.

Para quem não está familiarizado com o quê é Anonymous em sua expressão política, recomendo o breve texto de Biella Colleman: "Anonymous: From the Lulz to Collective Action" como introdução. A autora admite - e ela tem a mais extensa pesquisa acadêmica sobre o tema  -  que não é fácil entender o que é Anonymous e o que ele representa. Anonymous é a superconsciência da Internet.  O trailer de um documentário de longa metragem que será lançado ano que vem também pode ajudar a compreender seu "ethos".



Analistas táticos da "Stratfor" - a CIA das Sombras - podem concordar ou discordar do tamanho da importância de Anonymous no desenrolar da Primavera Árabe ou no Occupy Wall Street, mas devem todos concordar com Biella que a contribuição é inegável. Hoje, estabelecida uma rede de indivíduos bem formados, bem informados, interessados em compartilhar informações e ter impacto geopolítico, Anonymous se transformou ele próprio numa "agência de inteligência", uma agência de inteligência que não é governamental nem privada, uma agência de inteligência pública. Uma CIA da luz, ou melhor, de lulz.

Então, para saber as "previsões estratégicas" de 2012 você pode ir perguntar ao pessoal da Stratfor, só dê um tempo para que eles consigam organizar a bagunça em que se meteram. Outra alternativa é ir perguntar para quem acaba de invadi-la, surrupiá-la e humilhá-la. A opção é sua.

AnonymouSabu é "considerado o número 1 do LulzSec" pela imprensa especializada, e um dos poucos que não caiu nas mãos das autoridades policiais. Nunca foi identificado e pode ser considerado uma verdadeira "autoridade em estratégia de inteligência e informação", que consegue se esconder, enganar e superar todas as outras "autoridades", sejam elas governamentais, privadas ou paramilitares, que o caçam há um ano sem sucesso. (UPDATE: Em março de 2012 foi revelado que Sabu estava preso e colaborando com o FBI desde Junho de 2011)

Neste Natal, entre anúncios sobre os resultados da ação contra Stratfor, Sabu fez somente uma previsão para 2012, justamente em uma  conversa pública no Twitter comigo e com outro brasileiro: "Minha previsão? 2012 vai ser o ano do levante contra a corrupção no Brasil" escreveu em inglês o já mitológico hacker.


Sabu conhece a realidade brasileira, se comunica em português - até foi falsamente identificado como um cidadão português por seus detratores que o acusam de ser um terrorista. Disseminou o material vazado da operação Satiagraha, promove as ações de hacker brasileiros - em quem de vez em quando dá uns puxões de orelha -  e numa prova que está entre as pessoas mais inteligentes e bem informadas do mundo, lê e as vezes concorda com algumas das "análises de inteligência" do RoteirodeCinema ;).

O Brasil entra em 2012 com todas as instituições sob suspeição: o executivo, o legislativo, o judiciário. O partido da situação, o partido da oposição. A velha mídia, as igrejas, as organizações não governamentais. Pouca gente sabe, mas a "Marcha contra a Corrupção" - assim como a primavera árabe e o Occupy Wall Street - teve uma semente do Anonymous. Em Agosto João Paulo Martins escreveu na Revista Encontro:
"Brasileiros, unam-se contra a corrupção e a censura!”, esta frase, quase uma ode à revolta popular, foi escrita pelo usuário anonymouSabu, em seu Twitter. Ele é um famoso hacker, criador do grupo LulzSec e responsável por vários ataques nos Estados Unidos, inclusive contra páginas da CIA e FBI na internet" (...) E é bom que você se prepare, pois os grupos estão preparando uma grande ação no dia 7 de setembro, propositalmente na data de comemoração da independência do Brasil. Eles não revelaram o que será feito".
Em 6 de Setembro, velhas instituições corruptas como Globo, Abril, CNBB, OAB sequestraram a palavra do movimento contra a corrupção, e com seu envolvimento ativo na promoção dos eventos acabaram levando ao afastamento da juventude e por consequência ao fracasso numérico e representativo das Marchas, como matéria da Veja, então promotora dos eventos e sua auto declarada porta-voz:  "Manifestantes cobram maior presença de jovens no movimento." 

A repercussão de Privataria Tucana e o silêncio midiático em torno da CPI da Privataria mostraram que as entidades corruptas  que cooptaram os movimentos contra a corrupção e os transformaram em Marchas apáticas, conservadoras e envelhecidas não se interessam pelo combate à corrupção, apenas por sua própria agenda de poder.

Em 2012, com o silêncio dos hipócritas, sem a tutela da velha imprensa, um verdadeiro movimento apartidário contra a corrupção vai tomar forma no Brasil, um movimento esclarecido, informado, não ingênuo nem facilmente manipulável por conglomerados de mídia, muito menos fundamentado nos quadros de militância dos partidos corruptos da situação e da oposição. Em 2012 todas as instituições corruptas serão desnudadas. E o espiral do silêncio não dá mais conta de conter tanta informação.

"Expect us" diria Sabu. Tenho certeza que 2012 será o ano do levante popular contra a corrupção no Brasil.  Não há previsão mais fácil do que essa, ainda mais quando a possibilidade dela se concretizar só depende de você. E do tamanho de sua indignação.

Feliz Natal, ou Happy LulzXmas.




Update: Três meses depois da redação deste artigo o hacker Jeremy Hammond foi preso pela ação contra a Stratfor, com a ajuda de AnonymouSabu - Hector Xavier Monsegur - que estava preso e colaborando com FBI nas investigações.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Roberto Freire não sabe que Verônica Serra é indiciada por quebra de sigilo?

O deputado Roberto Freire (PPS-SP) encampou a defesa do PSDB e tenta barrar a CPI da Privataria. Mas será que ele tem conhecimento das denúncias contra a família de José Serra? Há duas horas respondeu um e-leitor que cobrava as respostas que toda sociedade espera:
http://twitter.com/#!/Politica_Santos / http://twitter.com/freire_roberto

Será que foi Roberto que endoidou? Talvez apenas desconheça a história, uma das tantas reveladas pelo livro de Amaury Ribeiro Jr. Ou será que finge desconhecer?

Matéria do Brasil247 de 10 de dezembro: "Veronica Serra é ré por quebra de sigilo financeiro"
"2003.61.81.000370-5. Este é o número do processo judicial, que corre em segredo de Justiça, contra Veronica Allende Serra. Filha do ex-governador paulista e eterno presidenciável tucano José Serra, ela foi indiciada pelo crime de quebra de sigilo financeiro."
É só pegar o número do processo (2003.61.81.000370-5) e procurar no site da Justiça Federal de São Paulo: http://www.jfsp.jus.br/foruns-federais/. Vai abrir o processo:

ACUSADO: WLADIMIR GANZELEVITCH GRAMADO e outro
ADV. SP016009 - JOSE CARLOS DIAS e outros
ASSUNTO: CRIME DE QUEBRA DE SIGILO FINANCEIRO (ART.10 DA LC 105/01)

Wladimir Ganzelevitch é o jornalista que usou os dados da empresa de Verônica Serra (decidir.com), para publicar matéria no jornal Folha de São Paulo sobre cheques sem fundo de deputados.

Mas e o "outro", quem é? Para saber é só ir no final da página e clicar em TODAS AS PARTES.

Está lá: INDICIADO: VERONICA ALLENDE SERRA




Cumpri meu dever cívico e informei o nobre deputado e seu eleitor:


Porém, ao invés de se retratar da afirmação falsa e admitir que Verônica foi sim indiciada por quebra de sigilo financeiro, o deputado preferiu simplesmente me bloquear no Twitter e fingir que não viu.

UPDATE: ROBERTO FREIRE CONTINUA EM NEGAÇÃO, ME CHAMA DE MENTIROSO E CULPA CONSPIRAÇÃO FASCISTOIDE LULOPETISTA:

Matéria da Folha de 2001 que deu origem ao processo diz: "As informações foram obtidas no site Decidir.com, que divulga na Internet dados comerciais e bancários sobre consumidores e correntistas de todo o país - o que é irregular, segundo as regras do BC."

Claro que é irregular, tanto que ela foi indiciada. Verônica é acusada de quebrar O MEU SIGILO BANCÁRIO, pois era correntista do Banco do Brasil na época.

A filha de Serra é acusada - com bastante fundamento - de quebrar o sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros. Tudo isso é informação pública. E o espiral do silêncio é tão grande, que nem o deputado Roberto Freire diz saber.

Mas a internet não esquece, não perdoa. E o "internauta" é legião:

http://twitter.com/#!/acordacastelo

http://twitter.com/#!/dantast

Professor Idelber, direto de New Orleans não deixou barato:

Cyber Karma is a bitch:



Estado de negação (complete denial) do dr. Roberto, nobre deputado federal, é prova cabal de que uma CPI da Privataria se faz necessária.

UPDATE 3 - Três dias depois

Verônica Serra publicou nota onde diz "Nunca fui ré em processo nem indiciada pela Polícia Federal".
"Outra mentira grotesca sustenta que fui indiciada pela Polícia Federal em processo que investiga eventuais quebras de sigilo. Não fui ré nem indiciada. Nunca fui ouvida, como pode comprovar a própria Polícia Federal. Certidão sobre tal processo,  da Terceira Vara Criminal de São Paulo, de 23/12/2011, atesta que “Verônica Serra não prestou declarações em sede policial, não foi indiciada nos referidos autos, tampouco houve oferecimento de denúncia em relação à mesma.”
Ah, tá, desculpe, agora entendi, tá explicado.... OH WAIT

UPDATE 4 - Quatro dias depois

O Brasil247 publicou agora pouco "Veronica mentiu em pelo menos um ponto da defesa"

O Doladodelá concorda: "Verônica Serra Mente"

O Gravataí Merengue, respondendo comentários sobre a nota no site "Implicante" diz:
"Gravz: Há dois réus nesse processo – que, diga-se, nem mesmo começou a tramitar adequadamente, pois não há decisão alguma. São os réus James Membrides Rubio Junior e Wladimir Ganzelevitch Gramado. Veronica Serra aparece com a rubrica “indiciado” pq foi CITADA, mas não está no pólo passivo da demanda. Ou seja, ela não entra como ré nem nada do tipo. A ação é movida EXCLUSIVAMENTE contra os dois aqui citados – e não é nem honesto usar golpe semântico por conta de uma RUBRICA do tribunal federal. Menos, né? Já há mentiras demais por aí…"
Take from that what you will.

UPDATE 5 - Cinco dias depois

Através de um comentário de outro usuário - o nobre deputado me bloqueou, não recebo nem posso mandá-lo mensagens -  fiquei sabendo que Freire andou me citando novamente:

Notem que para Roberto, todos que discordam dele neste caso específico são automaticamente tachados de "petistas" ou "lulodilmistas". O link que ele indica é a tal defesa de Verônica Serra. 



O deputado demonstra sua covardia me bloqueando - sem eu tê-lo ofendido ou insultado - e continuando a me mencionar para seus seguidores - me adjetivando o tempo todo - sem que eu receba estas mensagens. E depois ainda diz: "Falem!", como se fosse um canal aberto de comunicação. Não é.

Quem leu o texto aqui sabe que em nenhum momento nem eu nem o professor Idelber chamamos de mentiroso "quem dizia que Verônica não foi indiciada". Chamamos sim, o deputado Roberto Freire de mentiroso, como resposta por ele dizer que EU HAVIA MENTIDO ao dizer que havia apresentado documento que demonstrava que Verônica aparece como indiciada em um processo de quebra de sigilo. E eu apresentei esses documentos, ele pode até se recusar a acreditar nele, mas eu mostrei.

Eu, que sou ingênuo, acho que a verdade e os fatos ainda valem de algo. Esqueço que na vida de um deputado profissional, uma mentira é só mais uma mentira.



\o/

PS: I do it for the lulz.


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Matéria da Folha de 2001 que originou o caso: 

30/01/2001 - 03h27
18 deputados emitiram cheques sem fundos

WLADIMIR GRAMACHO, da Folha de S.Paulo

Na República, ninguém emite mais cheques sem fundos do que deputados federais. No último dia 18, a "lista negra" do Banco Central, que guarda os nomes de quem tem pendências nas agências bancárias do país, flagrava 18 deputados com 153 cheques emitidos sem o devido saldo.

Entre senadores, ministros de Estado e ministros de tribunais superiores não houve nem sequer um registro de cheques sem fundos em suas contas correntes naquele dia, segundo levantamento feito pela Folha sobre dados bancários de 692 autoridades brasilienses.

As informações foram obtidas no site Decidir.com (www.decidir.com.br), que divulga na Internet dados comerciais e bancários sobre consumidores e correntistas de todo o país -o que é irregular, segundo as regras do BC.

A maioria dos deputados federais flagrados integra o chamado "baixo clero", como ficaram conhecidos os parlamentares de pequena expressão, que em geral apenas seguem as orientações dos líderes partidários.

Até mesmo o maior expoente desse grupo, o deputado federal Severino Cavalcanti (PPB-PE), candidato à presidência da Câmara, aparece na "lista negra", com cinco cheques devolvidos pela agência do Banco do Brasil instalada no prédio dos gabinetes de deputados. Em média, cada um tem valor de R$ 4.000.

"Eu fui traído por uma pessoa que depositou o cheque antes do prazo e desestabilizou minha conta", justifica Cavalcanti, que já pagou os cheques e agora aguarda que o Banco do Brasil retire seu nome da lista. "Isso para mim é um negócio terrível. Acaba comigo", disse o deputado, referindo-se à sua candidatura.

Além de candidato, Cavalcanti também é o corregedor-geral da Câmara, a quem compete investigar e denunciar parlamentares por quebra de decoro.

Mas, nesse caso, afirma que não há falta de compostura. "Isso acontece acidentalmente. Só valeria denunciar se houvesse alguém prejudicado", disse o corregedor.

Se fosse processar algum colega da "lista negra" do BC, Cavalcanti teria que começar pelo deputado Pedro Canedo (PSDB-GO), o recordista de cheques sem fundos, com 41 registros.

Desde 22 de abril de 1996, portanto há mais de quatro anos, existem 11 cheques sem fundos na agência 0005 da CEF (Caixa Econômica Federal).

E, desde o último dia 10 de janeiro, outros 30 cheques foram registrados na agência 2223 da Caixa, instalada nas dependências da Câmara dos Deputados.

"Isso é coisa de quem vive no baixo clero, capengando", afirma o deputado João Caldas (PL-AL), ao explicar o motivo de ter três cheques sem fundos no BB.

"Para atender os amigos, a gente tem que fazer o que não pode, um sacrifício. Tem muito pedido de matrícula, de pagamento de IPTU atrasado, de consórcio. E eu vou ajudando", explica o deputado, que aponta o salário baixo como razão dos calotes.

O salário dos deputados é de R$ 8.000, e alguns deles têm limites de cheque especial que superam os R$ 20 mil. Juntando tudo, dá mais de 180 vezes o salário mínimo em vigor, de R$ 151.

Dinheiro insuficiente para atender a todas as demandas da vida parlamentar, segundo a experiência do deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), 
que tem cinco cheques pendentes na Caixa Econômica Federal, há um mês.

"Eu custeei a corrida de uns 18 prefeitos aqui no Ceará, dos quais 13 foram eleitos", justificou o deputado, logo esclarecendo: "Não (eram cheques altos), eram de R$ 20 mil, R$ 30 mil".

As informações sobre os cheques sem fundos também ajudam a derrubar um 
mito: de que todos os deputados têm privilégios no Banco do Brasil. Todos, certamente não.

Dos 18 deputados flagrados na "lista negra" do Banco Central, 11 foram colocados ali pelo gerente da agência 3596 do Banco do Brasil, que fica no prédio dos gabinetes parlamentares.

"Aqui, a regra vale para qualquer correntista, seja ele deputado ou um cliente normal", afirma Luciano Moreira, gerente da agência do Banco do Brasil há um ano e meio. "E o nome só sai da lista depois que pagar todos os cheques e as taxas, tudo dentro das regras", diz Moreira.

Além do pouco prestígio e das pendências bancárias, outro dado une esse grupo de deputados federais. A maioria deles tem mais cheques sem fundos registrados no Banco Central que projetos apresentados em 1999, último dado disponível na Câmara.

Canedo, por exemplo, tem dois projetos e 41 cheques sem fundos. Carlos Batata tem um projeto e 28 cheques sem fundos. Ao todo, 13 dos 18 deputados citados na lista têm mais cheques pendentes que projetos apresentados. Textos aprovados, nenhum deles teve.

Leia a notícia sobre CPI das Privatizações que a Revista Veja esconde

O blog "OpenSanti" denunciou que a Revista Veja  publicou e quase imediatamente apagou uma matéria de autoria do jornalista Eduardo Bresciani que romperia o silêncio da revista sobre a CPI das Privatizações.

Fui conferir eu mesmo, e a acusação procede. A única matéria jornalística do veículo sobre o tema da "Privataria Tucana" - uma reprodução da Agência Estado - foi deletada dos servidores, apesar da entrada da matéria permanecer em seu mecanismo de busca.


Porém, como a internet não esquece e não perdoa, o Google capturou a página original em seu "cachê" o que  nos permite ler o texto escondido pela revista.

Segue o texto então, na íntegra, e fica a pergunta: por que Veja censurou a matéria?

Política

CPI sobre privatizações é protocolada na Câmara

Por Eduardo Bresciani

Brasília - O deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) protocolou hoje o requerimento que pede a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara para investigar as privatizações realizadas no governo Fernando Henrique Cardoso. A ação tem como base o livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr, que no ano passado esteve envolvido no escândalo da violação de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse que só deve decidir pela criação ou não da CPI a partir de fevereiro de 2012.

Foram apresentadas 206 assinaturas junto com o requerimento mas, segundo Protógenes, algumas podem estar repetidas e o total deve ficar em cerca de 200. Para criar uma CPI, são necessárias 171 assinaturas e o pedido de investigação deve ter fato determinado. Marco Maia pediu um parecer à Secretaria-Geral da Mesa da Casa para analisar se o requerimento atende às duas exigências, mas já adiantou que somente no próximo ano definirá o tema.

"Não há nenhuma possibilidade de se fazer uma análise ainda neste ano. Não vejo também necessidade de dar prioridade absoluta porque não é nada tão fundamental ou que possa trazer prejuízo ao país que não possa esperar o trâmite normal", disse o presidente da Câmara. Protógenes afirmou que o pedido de investigação atende a um "clamor popular". Disse ainda que as possíveis irregularidades nas privatizações podem ser mais graves do que as denúncias contra o governo Dilma Rousseff. Apesar da queda de seis ministros por acusações de corrupção, até agora a oposição não conseguiu assinaturas para a realização de uma CPI.

"Os fatos podem ser até mais sérios do que os escândalos atuais até porque eles podem ter origem nisso. A origem, aliás, está na redemocratização feita no Brasil que foi pior que na Rússia e produziu novos bilionários", afirmou o deputado do PCdoB. O parlamentar garante que não se pretende usar politicamente a CPI das privatizações. "Não vamos permitir que a CPI sirva para ataque a adversários políticos", disse Protógenes. Marco Maia, porém, acredita ser impossível manter a investigação sem aspectos partidários. "É uma CPI explosiva que tem contornos de debate político".

Neste ano nenhuma CPI funcionou na Câmara. Dois seis pedidos protocolados, dois foram rejeitados por decisão do presidente da Casa e para os outros sequer houve resposta. Marco Maia afirmou que pretende criar nesta semana duas CPIs, uma para investigar o trabalho escravo e outra para apurar o tráfico de pessoas. Mesmo com esta ação, elas somente serão instaladas em 2012.

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(Reproduzido de página deletada no servidor da Abril de acordo com os princípios de fair use, ou uso justo)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Merval Pereira com José Serra reverenciando Amaury Ribeiro Jr. na ABL

Finalmente as organizações Globo romperam o silêncio sobre o livro "Privataria Tucana", do combativo, premiado e "infame" jornalista Amaury Ribeiro Jr. O homem destacado para a tarefa foi o jornalista "imortal" Merval Pereira, em editorial de opinião que tenta desqualificar o autor Amaury Ribeiro Jr, dizendo que ele não tem "credibilidade". Para Merval, é o repórter Amaury Ribeiro Jr- e não José Serra, Ricardo Sérgio ou Daniel Dantas - quem deve explicações.

Anuncia-se uma guerra entre a "velha mídia golpista" e "blogueiros sujos chapa-branca", ao menos é o que promete Paulo Henrique Amorim. Para contribuir com o embate midiático, no intuito patriótico de ver o circo pegar fogo, desengaveto uma matéria do Globo que podem ser muito elucidativa. Uma foto e uma citação do discurso:

Merval cumprimenta José Serra na cerimônia de posse na ABL.
Diz Merval Pereira em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras. Grifos meu.:
"Trago comigo um exemplo de como o jornalismo pode auxiliar essa busca da verdade. Em 5 de maio de 1981, eu escrevia a coluna política do Globo chamada "Política Hoje Amanhã", e tive acesso à informação de que o laudo da explosão do Riocentro, ocorrida dias antes, no dia 1 de Maio, havia confirmado a presença de outras duas bombas no Puma dirigido pelo capitão Wilson Machado. 
A notícia foi manchete do Globo, deixando claro que a versão oficial de que a bomba fora colocada no carro por terroristas de esquerda apenas encobria a verdade da tentativa do atentado.
Dezoito anos depois, em 1999, O GLOBO deu outro "furo", que provocou a reabertura do caso. A série de reportagens de Ascânio Seleme, Chico Otavio e Amaury Ribeiro Jr. ganhou o Prêmio Esso de Reportagem daquele ano e reabriu o caso, transformando o Capitão Wilson Machado e o sargento Guilherme Pereira do Rosário de vítimas em réus."
E agora, quem não tem "credibilidade" para falar de Serra e "deve explicações" é Merval. A internet nunca esquece. E nunca perdoa.

PS: Olha que coincidência: tinha acabado de falar de Merval e Amaury:

sábado, 17 de dezembro de 2011

Suspeição: Merval Pereira e o potente ouvido da imprensa

Ontem Merval Pereira publicou um artigo n'O Globo intitulado "Suspeição", onde coloca sob suspeição o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski e insinua um possível impedimento seu na ação do Mensalão. Merval nos conta o seguinte:
"[A]  repórter Vera Magalhães, da "Folha de S. Paulo", ouviu uma conversa por celular do ministro com seu irmão, Marcelo, em um restaurante de Brasília. Ele reclamou do que classificou de "pressão da imprensa", afirmando que a tendência do tribunal era "amaciar com o Dirceu", mas que todos acabaram votando "com a faca no pescoço".
Fica a pergunta: sou só eu, ou a história do imortal Merval está muito mal contada? Num país onde supostamente se proliferam "doutores escuta", empresas de espionagem e arapongas a soldo de empresários e partidos políticos - e de certa imprensa que se comporta como partido político - e que num passado recente teve CPI dos Grampos e ministro do STF supostamente grampeado em seu próprio gabinete, o fato de uma jornalista "ouvir uma conversa particular que o ministro teve com seu irmão pelo celular" não coloca a história - como posso dizer - sob suspeição?

Quão potente é o ouvido da imprensa? Perguntem ao Amaury Ribeiro Junior.

Leia também:

Internauta discute com Jornalista e vira a notícia

A rede de intrigas na gritaria e no silêncio da imprensa sobre a Privataria Tucana, ou Internauta discute com Jornalista e vira a notícia, por Fernando Marés de Souza

Por acompanhar pelas redes sociais o jornalista Antônio Luiz Costa - altamente recomendo para quem gosta de cultura SciFi e política nacional e internacional - acabei recebendo uma notícia muito curiosa que reflete a transformação por que passa a comunicação social.

"Notícia do portal  Comunique-se: Colunista da Veja.com discute
com internauta que perguntou se ele iria defender José Serra".

A primeira curiosidade é que descobri - olha que coincidência - que o "internauta" em questão sou eu. Li com surpresa meu nome completo e por extenso na matéria. Fiz uma pergunta a um colunista da Veja, Ricardo Setti, e de repente isso virou notícia no Portal Comunique-se. Tempos interessantes para a comunicação. O jornalista Anderson Scardoelli conta o seguinte:
"Primeiro a criticar a atitude de Setti em divulgar a nota assinada por FHC, Fernando Marés de Souza fez questionamentos – aparentemente irônicos –ao colunista do site da Veja. “Leu o livro Ricardo? Vai defender o Serra? Interessante notar que “infâmia” não é mentira”, perguntou. Não intimidado, o jornalista não só aprovou o comentário com respondeu, como afirmou que a própria revista serviu de matéria-prima para o livro de Ribeiro Jr. “De onde você tirou a ideia de que vou “defender” Serra? Não trabalho para ele. Se há algo de que se defender, cabe a ele. Não sei se você sabe, mas o principal do livro saiu em Veja em 2005”, rebateu Setti."
O internauta em questão então gostaria de esclarecer aos leitores do Comunique-se o seguinte:
A interpretação de que "critiquei a atitude de Setti em divulgar a nota assinada por FHC" é equivocada. Foi através da atitude do jornalista que tomei conhecimento da nota, então ao invés de "criticar a publicação" eu agradeço a informação. Setti costuma sempre responder minhas perguntas, só por isso comento em seu blog, senão nem perderia meu tempo. Não considerei sua resposta desrespeitosa e nem imaginava que nossa troca de mensagens fosse digna de nota. Ainda mais frente a reação de outros jornalistas que - coincidentemente ou não - trocaram farpas com seus leitores por causa desse mesmo tema recentemente.
Ao contrário de outros articulistas de Veja - com quem não não perco tempo discutindo - o blog de Setti não tem a "infâmia" de censurar comentários ou de se "intimidar" com perguntas. A verdade é que Ricardo Setti discute sempre com os internautas. Comigo a discussão é geralmente é boa. Então é uma boa notícia. A notícia podia ser melhor se tivesse um link pra fonte, o post original do Setti. Para que o "internauta" pudesse ir lá conferir em loco. Fica a dica. Discutiria isso diretamente com o Jornalista, mas o portal Comunique-se pede cadastro - e até CPF - para que o internauta em questão possa comentar na matéria.

A segunda curiosidade é que não foi a primeira notícia que eu li esta semana sobre jornalistas da "grande imprensa" discutindo de forma que pode ser considerada agressiva com seus leitores em blogs e redes sociais, justamente por causa do tratamento que esta "grande imprensa" deu ao lançamento do livro Privataria Tucana, ou silenciando ou tentado desqualificar o autor, o "infame" jornalista Amaury Ribeiro Jr.

O Brasil247, veículo criado para a mídia digital, publicou um artigo sobre o fenômeno, Silêncio da privataria: quando a imprensa se cala, e num ato em que parece querer comprovar que é "pautado" por seus leitores e vê isso com bons olhos, admite publicamente que o artigo foi sugestão de "internautas", e - olha que coincidência - outra vez "internauta" em questão sou eu.

No artigo que diz ter sido sugerido por mim, o jornalista Daniel Iraheta relata episódios em que Dora Kramer, Ricardo Noblat e Kennedy Alencar - jornalistas do Estadão, Globo e Folha respectivamente - se engalfinharam publicamente com seus leitores: "Nunca escrevi ou comentei sob chicote de patrão, de fonte ou de leitor/telespectador/ouvinte/internauta. Não farei agora”, tuitou o jornalista Kennedy Alencar. “Façamos o seguinte: matriculem-se na faculdade de jornalismo, trabalhem 30 anos no ramo e aí a gente discute, ok?”, disse Dora Kramer.

Iraheta  acha que a atitude dos jornalistas citados revela a desconexão com as mídias digitais: "Que mal há se os seguidores exigem uma posição daqueles que consideram analistas políticos de referência sobre um fato político relevante? Esse é o mais claro indicativo de interesse público – o principal combustível do jornalismo."  A conclusão do artigo que "sugeri" coincidentemente é muito parecida com o que penso:
Por meio das redes sociais, o jornalismo está se tornando cada vez mais horizontal. Sim, os leitores mandam, mas não precisam ser encarados como capatazes. É o interesse público em tempo real tuitando e cutucando. E não chicoteando!
O modelo top-down, a que Folha, Estadão e afins estão acostumados, não se encaixa na rotina produtiva de notícias atual. Hoje, quem decide o que é notícia não é só a empresa de comunicação, o colunista, a fonte. É o leitor – ativo, questionador, em contato permanente com o jornalista pela internet.
Esse leitor não precisa ingressar na escola de jornalismo hoje para aprender a discutir com colunistas. São os jornalistas de hoje que precisam entender que o modelo de 30 anos atrás ficou lá no passado. Mesmo!
Talvez não seja coincidência, e o fato de eu acabar sendo sempre "o internauta" em questão seja um mero sintoma do fenômeno desse "jornalismo em transformação" onde quem pauta a imprensa é o leitor. A terceira curiosidade é que quando eu - que não sou jornalista e sim roteirista - publiquei no começo deste ano um artigo no Roteiro de Cinema onde - just for the lulz - desmenti grande parte da imprensa brasileira que havia publicado o factóide que o “Brasil é recordista de notícias censuradas no Google”, tanto o portal Comunique-se quanto Ricardo Setti - olha que coincidência - são citados por mim entre acusados de cometer uma grave incorreção jornalística. Uma barrigada assumida com constragimento pelo Estadão e pela Abraji. Observem então, empiricamente, a diferença de conduta entre Setti e o portal Comunique-se quanto a correção da informação falsa e o compromisso com seus leitores:
"Ricardo Setti apurou, e com muita dignidade admitiu o erro e publicou  esclarecimento em seu blog e em seu Twitter, inclusive citando informações do Roteiro de Cinema e provendo um link para cá." escrevi em meu artigo.
E como agiu o portal Comunique-se? Em flagrante desrespeito aos seus leitores, simplesmente apagou a matéria como se nunca  tivesse publicado a informação incorreta. Tentou empurrar o "lixo" pra baixo do tapete ao invés de admitir o erro e corrigir a informação.

A matéria original ainda pode ser acessada pelo cachê do Google. Nos comentários da página deletada pode-se claramente ver os leitores do portal Comunique-se "discutindo" com o jornalista que publicou a matéria. O que aliás poderia até render uma nova matéria para o portal Comunique-se, que afinal cobre os bastidores do jornalismo e da comunicação: "Internauta discute com jornalista do portal Comunique-se".
O  professor Antonio Meira da Rocha foi o primeiro a criticar a atitude do Comunique-se: "Campanha de propaganda fajuta contra o Brasil. Leia mais sobre a suposta censura" escreveu o internauta,  indicando um link para um artigo de um blog - Roteiro de Cinema - que contradizia a informação apresentada.  Intimidado pelo leitor que contestava a veracidade dos fatos apresentados pelo veículo, o jornalista do portal Comunique-se simplesmente apagou a matéria. E nunca publicou a correção.  
Não é coincidência. É uma espécie de "karma cibernético". O "internauta" - não o em questão, mas sua representação ideal - é a superconsciência da internet. O "internauta" nunca esquece. E também nunca perdoa. Essa legião anônima é hoje a principal força transformadora do mundo.

O embate de "internautas" contra a "velha grande imprensa" no episódio do lançamento do livro do Amaury é apenas mais um capítulo do processo histórico de transformação por que passa o jornalismo.  Um outro momento emblemático deste processo  foi o lançamento dos Princípios Editorias da Rede Globo. De maneira muito curiosa, um vídeo simples e contundente editado pelo jornalista Antônio Mello - demonstrando que o Jornal Nacional descumpriu seus princípios editoriais  na mesma edição em o anunciava com pompa -  repercutiu tanto nas redes sociais que William Bonner - constrangido por seus espectadores que enviaram o vídeo para seu perfil no twitter - teve que se retratar na edição seguinte.


Antônio Mello disse que teve a ideia de fazer o vídeo quando leu  um texto - olha que coincidência - publicado no Roteiro de Cinema e escrito por mim, onde usava o tratamento dado a uma merendeira suspeita de um crime para exemplificar o jornalismo irresponsável praticado pelo Jornal Nacional, que não respeitava a presunção de inocência e o contraditório.O exemplo em questão foi o caso de uma merendeira do RS, mas bem que poderia ter sido a o caso de Amaury Ribeiro Junior.

William Bonner disse em 2010 no Jornal Nacional que Amaury  "pagou por informações" "obtidas de forma ilegal", e em reportagem condenatória, Cesar Tralli apresentou uma testemunha exlcusiva que incrimina Amaury, e termina afirmando que "é dado como certo o indiciamento de Amaury pela polícia." Só depois de acusado, julgado e condenado pela Globo, pela Folha, Veja e Estadão, que o jornalista foi indiciado pela Polícia Federal. A versão de Amaury - que jura ser inocente de qualquer ilegalidade - sempre foi silenciada pelos barões da mídia.

É reveladora a cobertura do caso feito na época pelo Jornal da Globo de William Waack - jornalista acusado por "internautas" de ser "pau mandado da CIA" por ter sido flagrado passando informações ao embaixador americano em cabo confidencial vazado pelo Wikileaks. Em fala que deve entrar para os anais da história do jornalismo, o jornalista Heraldo Pereira diz o seguinte:
"E pensar que tem espírito de porco querendo limitar o acesso à livre informação, a liberdade de imprensa. Pois foi o trabalho da reportagem, tanto da Folha quanto da Globo, como vimos com Cesar Tralli, que desvendou a história da quebra ilegal de sigilo. E ninguém é capaz de acreditar facilmente que setores do PSDB - leia-se Aécio Neves, que nega veementemente - poderiam estar envolvidos nessa história de "guerra tucana" como setores do PT tentam emplacar. Isso não cola. Parece até história pra boi dormir". 
A então candidata Dilma Roussef aparece no final da reportagem rebatendo a emissora: "O próprio jornalista em depoimento à policia federal - que eu li na internet - diz que ele fez o trabalho entre um conflito entre dois candidatos a presidência tucanos. Esconder isso é de fato tentar colocar algo que a minha campanha vem negando desde o princípio. Nós não quebramos sigilos fiscal e não fizemos dossiês". Heraldo Pereira volta para concluir vaticinando: "Uma coisa é certa, essa história ainda pode render muito. Aguardem os próximos capítulos, meus amigos".

A eleição passou e só agora o "próximo capítulo" foi escrito. E por Amaury Ribeiro Jr. E afinal parece se confirmar a versão sempre consistente de Amaury, essa mesma relatada por Dilma. Com o passar do tempo foi justamente a história de Amaury a que "colou". Aquela que supostamente foi desvendada pela Folha e pela Globo é que "não emplacou", que virou "história para boi dormir". Mas Heraldo finge que a conclusão do escândalo não é mais com ele e também silencia. A conversa de William Waack com o embaixador americano revelada pelo Wikileaks era justamente sobre a rivalidade entre Aécio e Serra, e as tensões que estariam "dividindo o partido" tucano na definição de quem disputaria a eleição contra a canditada do presidente Lula, informações que corroboram ainda mais a versão de Amaury.

Equivoca-se quem pensa que Amaury e seu livro estão a serviço do PT ou do governo. O PT também é alvo do livro e é ameaçado pelo movimento que o livro causou. Não é por outra que líder de Dilma no congresso, Cândido Vaccarezza já disse que governo petista não quer a CPI da Privataria. Dilma também não quer. Lula em seu primeiro discurso como presidente - num prenúncio do que viria - disse que não olharia pelo retrovisor, que não iria atrás dos corruptos da gestação anterior. Começou ali o cozido que culminou no acordão da CPI do Banestado. Empurrou-se para debaixo do tapete os documentos da maior lavanderia da história da corrupção mundial. Até o concreto armado do prédio do congresso sabe que as contas CC5 foram usadas tanto por tucanos quanto petistas - e peemedebistas, pefelistas, banqueiros, empresários etc - para lavar o dinheiro sujo da corrupção, dos caixas dois e das sobras de campanha.

Na esteira da publicação do livro  foram poucos  jornalistas que trabalham para a "velha imprensa" que ousaram tocar no assunto. Na maioria das vezes, esses colegas e patrões que outrora apresentavam Amaury com sua coleção de prêmios Esso e Vladmir Herzog, agora usam o indiciamento pela polícia - que aconteceu justamente por pressão da imprensa - para desqualificá-lo. E numa espetacular ironia, é Amaury que acaba sendo acusado, por um  ex-presidente da república, de promover "assassinatos morais de inocentes."

O que FHC diz de Amaury é irrelevante. Para Amaury - e sua "moral assassinada" pela máquina de moer reputações da grande imprensa -  não faz diferença carregar mais uma "infâmia". Amaury confia na história e  entende o papel do "internauta". Reconhece que foi ele o responsável por romper o bloqueio midiático e colocar sua reportagem na pauta nacional novamente. E a "grande imprensa" não se livrará tão fácil do fantasma de Amaury.

Com a exceção do Blog do Noblat - que em geral desqualificou Amaury e repercutiu a defesa dos tucanos -  fez-se uma semana de silêncio absoluto sobre o assunto nas Organizações Globo. Na internet, no jornal e na TV ignoram o livro, as denúncias contidas nele, as declarações de FHC e Serra, a anunciada CPI da Privataria do deputado Protógenes, ou qualquer coisa relacionada ao tema. Mas é só questão de tempo. Não é mais possível conter a realidade. Uma hora o William Bonner terá que pronunciar o termo "privataria" em rede nacional. Dá até pra acreditar que o apresentador um dia volte a citar o nome "Amaury Ribeiro Jr" no jornal que apresenta, como teve que voltar a falar da merendeira. Talvez isso dependa só do "internauta", que hoje pode discutir isso diretamente com o jornalista em questão. Contestá-lo, informá-lo, pautá-lo, e até constrangê-lo.

O veterano jornalista Ricardo Kotsho coloca o dedo na ferida de seus colegas. O tratamento dado ao livro de Amaury seria o "exemplo mais descarado de manipulação da informação e do tratamento seletivo das denúncias do "jornalismo investigativo" da velha imprensa". Pergunta Kotsho aos seus leitores:
"Para quê e para quem, afinal, serve esta liberdade de imprensa pela qual todos nós lutamos durante os tempos da ditadura, que eles apoiaram, e hoje é propriedade privada de meia dúzia de barões da mídia que decidem o que devemos ou não saber? As respostas, por favor, podem ser enviadas aqui para a área de comentários do Balaio."
O convite para que seus leitores "discutam" com ele na "caixa de comentários" de seu blog pode se transformar em matéria penosa. Apesar da liberdade que tem como jornalista do Grupo Record - para falar do caso de Amaury e da Privataria Tucana, além de outros assuntos espinhosos que provocam o silêncio sepulcral nas redações, como a corrupção de Ricardo de Teixeira -  não deve ser fácil justificar para seus leitores a sua própria "indignação seletiva". Kotsho obviamente silencia quando as denúncias são aquelas que pesam contra a própria Record, emissora para qual trabalha e que é acusada pelo MPF de ter sido comprada com dinheiro lavado em paraísos fiscais pelo bispo Edir Macedo, seu patrão, usando os mesmo métodos de internação em off-shores praticados por Ricardo Teixeira e pelos privatas tucanos, em transações tão brilhantemente descritas por Amaury em seu livro.

Paulo Henrique Amorim, outro funcionário da Record e um dos grandes divulgadores do livro de Amaury, assim como os jornalistas que vem criticando nesse caso, também costuma recorrer a simples desqualificação dos autores de acusações. Se ficar acuado pelas acusações contra o dono da Record feitas na matéria de Cláudio Tognolli para Brasil247, PHA pode muito bem dizer, como já disse antes - que o autor não merece credibilidade por ser supostamente biógrafo de Daniel Dantas e fonte dos arapongas da Kroll, enquanto o editor do Brasil247, Leonardo Attuch, pode ser desqualificado apenas lembrando que é o único jornalista na historia recente que teve uma operação da polícia federal criada especialmente para investigar sua atividade jornalística. Na desqualificação de Attuch, PHA faz coro com Mino Carta - que deu a primeira capa de revista ao livro de Amaury - e com a Veja, que um classificou Attuch como "negociante de notícias", "quadrilheiro que deve satisfações à polícia", autor de um "panfleto ignominioso", "novelista" e "profissional à venda", quando a revista tentou desqualificá-lo ao invés de refutar as acusações que Attuch fez contra o dono da Editora Abril, Roberto Civita, e vários jornalistas da Veja em seu livro "A CPI que abalou o Brasil – os segredos do PT e os bastidores da imprensa".. Interessante que quando se atacam entre si na tentativa de desqualificação de um autor de denúncias que não os agradam, todos soam iguais. Todos são ao mesmo tempo vítimas e perpetradores dos mesmos crimes de imprensa.

No livro de Amaury, apesar do foco ser na Privataria Tucana de Ricardo Sérgio e da família de José Serra, o autor relata dezenas de episódios de lavagem de dinheiro por notórios personagens brasileiros: Maluf, Lalau,  Dantas, Jorgina, Marcos Valério, e Ricardo Teixeira entre outros. É sintomático - e até compreensível - que o único caso notório de lavagem de dinheiro que acabou ficando de fora do livro seja justamente aquele que diz respeito - olha que coincidência - ao atual patrão de Amaury Ribeiro Junior, que hoje também  cumpre expediente na Record de Edir Macedo. Todo jornalista acaba tendo o rabo preso afinal, nem que seja em uma situação momentânea. No final, o "internauta" é o único isento.

O importante é que a era do espiral do silêncio está acabando. E o "agenda setting" agora quem faz sou eu. Aliás, nós. A quem chamam de "internauta". A velha grande imprensa terá que se adaptar, ou - como até seria melhor em alguns casos - irá desaparecer por falta de credibilidade. Ao ficar muito exposta à luz. Ou soterradas pela montanha de lixo que criaram e não conseguem mais esconder.

Fernando Marés de Souza é "internauta".  







PS: O Blog do Noblat - olha que coincidência - nunca corrigiu as informações incorretas sobre a suposta censura de notícias no Google. Já "discuti" com ele sobre isso e me respondeu apenas que a matéria não é dele, é do Estadão. Como se eu não soubesse. E como se ele não fosse responsável pela correção das informações que publica em seu blog. O cara que em 2000 publicou um “ERRAMOS” na capa do jornal Correio Braziliense.



domingo, 25 de setembro de 2011

Violência da Polícia de NY contra manifestações em Wall Street

Enquanto se completa uma semana do movimento de ocupação pacífica de Wall Street chamado OccupyWallStreet, onde centenas de pessoas acampam na "Liberty Plaza" em NY, cerca de 100 foram presas pela polícia novaiorquina nesta tarde do dia 24 de setembro, no coração do império financeiro global, quando milhares de pessoas marcharam em protesto contra a ganância das corporações corruptas e sua influência nefasta sobre os governos.

Assista aos vídeos das prisões arbitrárias e violentas abaixo.

O prefeito de Nova York Michael Bloomberg, bilionário dono de um conglomerado de mídia, sabia das manifestações e declarou, dia 17, através das páginas de seu próprio veículo de comunicação que "o povo tem o direito de protestar" na cidade. Porém, numa entrevista de rádio, compartilhou a preocupação com o risco de "distúrbios (riots)" se a economia não melhorar logo, e num ato falho, ao invés de citar "distúrbios" como os violentos saques e incêndios de Londres em agosto, disse temer algo como os movimentos por democracia no Egito (#jan25) e por democracia real na Espanha (#15M): "Foi o que aconteceu em Cairo. Foi o que aconteceu em Madrid. Não queremos estes tipos de distúrbios aqui".

Relatos do local e as imagens publicadas na internet (alguns exemplos abaixo) não deixam dúvida que a polícia de Bloomberg desrespeitou os direitos civis dos manifestantes e - amparada pelo 'Patriot Act' - tenta através de prisões arbitrárias e sem acusação formal intimidar o povo nas ruas, que desta vez - diferente de protestos do passado - não realiza apenas um protesto em um dia determinado, mas - como aconteceu em Cairo e em Madrid - ocupa o espaço público em um evento que não tem data para terminar. O que intriga parte da imprensa americana - e o que em parte explica o blecaute midiático sobre estes acontecimentos nas ruas de Nova York e do mundo - é que ao invés do alvo dos ativistas ser o governo, os militares ou a Casa Branca como de costume, os alvos são os verdadeiros donos do poder: os bancos e as grandes corporações.

No momento há ocupações ocorrendo em pelo menos 12 grandes cidades americanas,  e dezenas de outras cidades se organizam para tomar praças e ruas em solidariedade aos manifestantes de Wall Street. Dia 6 de outubro ativistas pretendem ocupar Washington (#oct6) e dia 15 de outubro (#15O/#oct15) o movimento pretende alcançar todas as grandes cidades mundo.

É a Revolução Global de 2011, a resistência a um futuro distópico. Um amigo fotógrafo, veterano do 11 de setembro de 1973 chileno e de várias outras andarilhagens históricas pelo mundo vaticina: "Quando essa coisa explodir , maio de 68 vai ser brincadeira de criança." Anonymous já alerta faz tempo: "Expect Us".

UPDATE: Ativistas informam que ainda hoje, 25/09, cerca de 30 pessoas continuam presas.

Cenas da brutalidade policial em NY dia 24/09/2011 que a mídia corporativa esconde do mundo:















Ocupação da "LIBERTY PLAZA" já dura uma semana.



Assista AO VIVO através do GlobalRevolution, streaming live from Lyberty Plaza:


Watch live streaming video from globalrevolution at livestream.com

https://occupywallst.org/
http://www.facebook.com/OccupyWallSt
http://twitter.com/OpWallStreet
http://twitter.com/OccupyWallStNYC

BONUS: Prisões arbitrárias no começo da ocupação da Liberty Plaza.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Álvaro Dias vê apenas detalhes saborosos em indícios de crime de imprensa

UPDATE: 8 meses depois os indícios de crime ficaram mais sólidos e levam até Cachoeira.

Enquanto cresce o escândalo envolvendo a Revista Veja - acusada de plantar ilegalmente câmeras no Hotel Naoum e tentar invadir o domicilio temporário do dirigente petista José Dirceu - líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, diz não ver nenhum indício de ilegalidade na obtenção e publicação das imagens do corredor do Hotel, acredita que são apenas "detalhes saborosos", e ainda acha que repórter acusado pelo hotel de tentar invadir quarto do ex-ministro "é corajoso".

Diz o senador sobre a polêmica reportagem: "...traz detalhes saborosos: podemos ver as imagens das “autoridades” que vão até o “gabinete” de Dirceu, montado no Naoum, um hotel de luxo de Brasília..."

O caso Veja/Naoum tem paralelos com o "Watergate" (arapongagem em hotel); Strauss-Kahn (envolve uma camareira); e News of the World (métodos ilegais e invasão de privacidade para conseguir informações exclusivas). Gerente do Hotel Naoum diz que já acionou a polícia e que "alguém vai pagar" pelo crime. Ironicamente foi Álvaro Dias quem propôs criar uma "CPI dos grampos", baseado em indícios muito menos sólidos, denunciados pela revista Veja.

Leia excertos do que o Senador escreveu em seu blog e Twitter:

Blog do Senador Álvaro Dias (PSDB)"
Minha conversa com o Senador no Twitter.
Jornalista corajoso.

UPDATE: 8 meses depois os indícios de crime ficaram mais sólidos e levam até Cachoeira.

Leia mais sobre o caso:

Alberto Dines: Jornalismo político volta à Era da Pedra Lascada
Ricardo Kothscho: Repórter não é Polícia; Imprensa não é Justiça
Agora é oficial: imagens divulgadas por Veja são fruto de grampo clandestino
Polícia Federal já está no caso Veja/Hotel Naoum
Naoum aciona PF: Veja pode ter feito filme ilegal
Imagens divulgadas por Veja não foram feitas por câmeras do Hotel Naoum
Direção do Hotel Naoum confirma crime de Veja
VEJA passou recibo do crime
“Veja” atenta contra os princípios democráticos
O Poderoso Pastelão
O ponto sem retorno de Veja
Reportagem patética da Veja pode servir para que CEO da Abril inicie faxina interna
Repórter da revista Veja é flagrado em atividade criminosa


PS: No mesmo dia em que o escândalo estourou, o Senador havia publicado um post em seu blog dando conta que um jornalista português publicaria - na revista Visão - denúncias contra Zé Dirceu, mas depois de seis horas no ar, apagou o post porque teria se dado "conta de que poderia prejudicar o trabalho do jornalista".

domingo, 21 de agosto de 2011

Marcos Guterman erra de novo sobre Flotilha da Liberdade

Em fevereiro demonstrei aqui que o colunista do Estadão Marcos Guterman estava mal informado - no mínimo - ao afirmar que não se sabia "de alguma valente 'flotilha da liberdade' despachada para ajudar as vítimas" da guerra civil na Líbia. Guterman passa por cima dos fatos e evidências em um discurso que visa desmoralizar as entidades humanitárias que tentam ajudar palestinos, numa retórica - falsa - de que as entidades que organizaram a flotilha da liberdade agem apenas por motivações anti-israelenses e não se importam com outras catástrofes humanitárias.

Pois bem, seis meses depois, Guterman erra novamente em sua tentativa de deslegitimar as entidades humanitárias que tentam romper o embargo criminoso imposto por Israel na faixa de Gaza - que limita a entrada de ajuda humanitária na região. O colunista usa a mesma retórica que usou para os Líbios em novo artigo intitulado "Os somalis esperam uma “Flotilha da Liberdade”.

Pois bem, não só uma, mas várias flotilhas da liberdade já partiram para a Somália, organizadas pela mesma IHH turca - Foundation for Human Rights and Freedoms and Humanitarian Relief - entidade humanitária que organizou a Flotilha da Liberdade para Gaza, que Guterman tanto gosta de citar em vão.


Enquanto Guterman criticava "as entidades especializadas em despachar 'Flotilhas da Liberdade'" por sua falta de ação na Somália, a IHH estava mantendo campos de ajuda em mais de 70 países, incluindo Somália, Líbia e Síria. E apesar de ter sua ação limitada em território Palestino pelas forças israelenses, vem realizando um trabalho importante no alívio da crise humanitária em Gaza.

Um dos barcos da IHH que parte para a Somália chama-se Gaza.

Agora pergunto: se Guterman não se retratou ou corrigiu as informações - ou a falta de - na primeira vez que errou, será que irá se corrigir desta vez?

UPDATE: Guterman, com citação explícita a este artigo, se retratou em seu blog.


Campo da IHH na Somália em Julho.

PS. Pesquisei e não deu outra: "Where's your flotilla?" virou uma falácia internacional da retórica pró-israel.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Anonymous: Os princípios editoriais da Globo não valem o que o gato enterra



"Os princípios editoriais da Globo não valem o que o gato enterra."
Mensagem de um Anonymous deixada no perfil crackeado do Arnaldo Jabor. https://twitter.com/#!/realjabor/status/104421995994824704 
A mensagem - que reflete o inconsciente coletivo cibernético - é obra de um coletivo chamado "Script Kiddies", adolescentes ingleses usando tradutor automático movidos "just for the lulz".





O termo "Arnaldo Jabor" está sendo um dos mais discutidos na rede social chegando aos "trending topics" do Twitter na manhã de hoje, mas foi rapidamente suprimido da lista pela empresa, que costuma censurar este tipo de informação dinâmica quando ela desagrada os seus interesses ou de parceiros.

http://twitter.com/#!/NosTTs/status/104546133145174016


E quem vai romper o espiral do silêncio?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Jornal Nacional da Globo viola os Direitos Humanos

Publiquei ontem sobre os princípios editoriais das Organizações Globo anunciados e desrespeitados por seus jornalistas numa mesma edição do Jornal Nacional, e inspirado pelo relato que fiz do caso da merendeira suspeita de colocar veneno em comida de alunos, o Antônio Mello, do Blog do Mello, montou este vídeo elucidativo:



Relatei no artigo original: "Em uma matéria sobre a presença de veneno em merenda escolar no RS, a âncora Fátima Bernardes afirma: "Está foragida a merendeira que pôs veneno de rato na comida de crianças e professores de uma escola pública de Porto Alegre" - enquanto mostra a foto da acusada na tela. Mas como pode a jornalista afirmar como fato algo que ainda não foi comprovado? A merendeira é SUSPEITA de ter colocado veneno, ACUSADA de ter colocado veneno, Fátima Bernardes não pode apresentar como fato que a "merendeira pôs veneno de rato na comida de crianças". Mesmo que haja uma suposta confissão da merendeira, o advogado da acusada afirma que ela não colocou veneno algum e que se apresentará segunda-feira, informação que o Jornal Nacional não traz em sua reportagem. A matéria fere os princípios descritos nos itens 1-v, 1-x, e 1-z dos princípios editoriais, desrespeita o princípio do contraditório e qualquer senso básico de justiça."

Porém, mais grave que desrespeitar seus princípios editoriais, os jornalistas responsáveis pela matéria - em especial o editor-chefe William Bonner e o diretor da central de jornalismo Ali Kamel - violam os direitos humanos da cidadã brasileira Wanuzi Mendes Machado, violam a Constituição Federal e o Código de Ética dos Jornalistas brasileiros:

É expresso na Declaração Universal dos Direitos do Homem em seu artigo Artigo XI:
1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.  
É expresso na Constituição Federal em seu artigo Art. 5º:
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
É expresso no Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros no Capítulo III:
Art 9º A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística. 
Art. 12. O jornalista deve:
I - (...) ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas; 

Então fica a pergunta: até quando o Jornal Nacional e o jornalismo da Globo se sentirão acima de todas as regras, sejam elas públicas ou  privadas?

Vale ressaltar que não está em discussão a inocência ou culpa da cidadã Wanusi, pois isso só será determinado após o devido processo legal. Não é uma questão sobre este caso específico. É uma questão de princípios.

OUTRO LADO:

A Central Globo de Comunicação foi procurada mas ainda não se pronunciou. A resposta será publicada aqui neste espaço.

UPDATE: Apesar de ainda não ter recebido resposta da CGCOM, a edição de hoje do Jornal Nacional trouxe um desdobramento sobre o caso. Os jornalistas deram voz ao contraditório, apresentaram a tese do advogado da merendeira, passaram a chamá-la de "suspeita" e ao final, fizeram uma retratação: "Ao tratar desse caso policial no último sábado (6), por uma falha de edição, o Jornal Nacional não mencionou a alegação do advogado de defesa que contestava a confissão da cliente. Foi, obviamente uma falha, que foi corrigida nesta reportagem."

Porém, apesar da retratação ser um avanço - apresentando o contraditório e admitindo um erro - o veículo ainda não admitiu que errou ao afirmar que a merendeira "pôs veneno de rato na comida de crianças" sem que esta tese estivesse comprovada.


Fernando Marés de Souza

PS.

FREE BRADLEY MANNING
FREE THE WEST MEMPHIS THREE
Remember José Cleves









E aí Tio? Problem?


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